História do PCG

 

1) A Piscina: Origem do PCG

 

Muito antes do surgimento do PCG (Projeto Chalet Grison), eu e meus amigos já estávamos com a idéia de fazer alguma atividade interessante no nosso prédio, mas eu nunca iria imaginar que um dia estaríamos soltando foguetes, pesquisando, elaborando projetos, e muito mais. E tudo isso começou no verão 2000-2001, quando nós nadávamos a tarde inteira (antes da piscina entrar em conserto).

No mês de janeiro de 2001 quando íamos nadar eu resolvi levar uma garrafa PET de chá comigo (procurar me distrair um pouco) para ver se arranjava uma coisa de útil para fazer com ela. Todos nós brincamos com ela e percebemos que podíamos fazer várias coisas interessantes. Então começamos a trazer garrafas de refrigerantes para baixo, até que um dia eu resolvi mergulhar uma delas na água e soltá-la: a garrafa subiu rapidamente. E eu continuei fazendo isso a tarde inteira, incansavelmente, sem perder o interesse. Após isso todo nós ficamos interessados nisso, e começamos a soltar vários tipos de garrafas de diferentes profundidades, sempre medindo a altura que elas atingiam. Foi ai que comecei a me interessar pelo foguetismo, e resolvi pesquisar o máximo sobre foguetes...

 

2) A Descoberta

 

Enquanto eu navegava pela internet em busca de sites sobre foguetes acabei encontrando um sobre foguetes a água, e percebi que eram baratos, potentes, seguros e práticos. Fiquei fascinado por tudo aquilo, e acabei por visitar todos os links do site, procurei estudar o máximo possível sobre os FAA (foguetes a água), até que um dia eu imprimi as instruções para construção de uma plataforma tripé com um disparo. Resolvi contar para o pessoal do prédio o site que havia encontrado, e todos acabaram gostando da idéia, pois os FAA não requerem grandes gastos financeiros, ou seja, era uma coisa que estava ao nosso alcance. Estávamos no final de fevereiro. Fomos ao trabalho...

 

3) A construção da plataforma e dificuldades iniciais

 

No início não sabíamos ao certo onde arranjar todos materiais que iríamos necessitar, nem entendíamos muito (na verdade nada) sobre canos PVC,  e portanto, durante a montagem da plataforma, do disparo e até do foguete seguimos as instruções da lista que imprimi passo a passo. Éramos totalmente inexperientes, a lista era tudo que tínhamos, nada mais.

Procuramos sem parar uma loja de canos PVC até que encontramos o Português (Depósito Freitas, o dono era um português), que até hoje nos fornece materiais para construção, e como fomos lá várias vezes acabamos até nos acostumando a passar lá todas semanas, hehehe.

Começamos a trabalhar, sem parar, a todo vapor, até que tudo ficasse pronto e pudéssemos realizar nossos lançamentos. Devo dizer que o começo foi penoso para todos nós: penamos para deixar a plataforma reta, não sabíamos o nome dos materiais, não tínhamos idéias, e seguíamos piamente o roteiro de construção que eu havia imprimido. Trabalhamos no projeto durante todo mês de março, até que tínhamos tudo pronto, com exceção do disparo. 

 

4) Os primeiros lançamentos

 

Eu, o Sergio e o Gustavo estávamos no prédio, quando resolvemos fazer um lançamento, com "disparo pedreiro" (ao invés de usarmos um sistema que travasse o foguete usávamos as próprias mãos para segurar o foguete). Não iria subir muito, mas estávamos muito ansiosos para fazer um lançamento. 

Então pegamos uma bomba qualquer e levamos a os equipamentos para fora, enchemos uma garrafa PET parcialmente com água e colocamos na plataforma. Dei algumas bombeadas enquanto o Gustavo segurava a garrafa, até que soltamos o foguete: a garrafinha tinha subido aproximadamente 15 cm e o camarada Gustavo teve uma hemorragia de prazer somente pelo fato dela ter saído do lugar. 

Continuamos a fazer aquilo por várias horas, e as altitudes acabaram evoluindo (as garrafas subiam 10-15 metros, as vezes até 20), nos encharcamos por completo, mas sem a menor sombra de dúvida, todo esforço valeu a pena. Realizamos uns 30 lançamentos nesse dia, 8 de abril de 2001, uma data histórica para o PCG.

Após isso passamos a soltar foguetes sem parar, todos os dias. Tivemos que arranjar várias garrafas PET porque acabávamos perdendo várias delas (acabavam caindo nos vizinhos). Usávamos  garrafas de 2 litros, 600 ml e outras menores ("politas") e acabamos arranjando caixas e sacos plásticos para armazenarmos todas elas (chegamos a ter quase 200!).

Mas ainda não tínhamos o disparo pronto, aliás, estávamos tendo uma imensa dificuldade para montá-lo corretamente, até que um dia conseguimos terminar ele. Mas houveram vários problemas, não compreendíamos ainda como tudo aquilo funcionava e continuamos com nosso famoso "disparo pedreiro". Para piorar mais ainda, a nossa plataforma tripé começou a vazar ar e água em vários pontos e estava ficando extremamente fraca. Então nós resolvemos passar  silicone, fita veda-rosca e outras colas para evitar vazamentos. Foi perda de tempo, a plataforma estava podre e nós resolvemos desmontar ela toda. O projeto foi abandonado temporariamente. Passamos 6 semanas sem encostar em nada.

 

5) PCG: A Ressurreição

 

Durante todo esse tempo eu dediquei meu tempo para encontrar uma nova plataforma, que não tivesse vazamentos. Eu finalmente acabei encontrando uma plataforma que parecia ser muito melhor que a antiga, e então nós começamos a construção dela. Só que agora nós havíamos evoluído: sabíamos os tamanhos e nomes de cada tipo de cano, colamos a plataforma com cuidado e precisão, chegamos até a aperfeiçoar e adaptar essa nova plataforma para o PCG, compramos uma bomba muito melhor, etc. Estávamos no final do mês de junho. O PCG estava de volta a todo vapor...

Iniciamos a construção da nossa  plataforma revolucionária. Compramos todos materiais necessários no Português e começamos a montagem, que durou apenas 2 horas ao todo. Era um recorde! E ela funcionava perfeitamente: não tinha vazamento nenhum, foi muito mais barata, era mais durável e resistente (só pra você ter uma idéia, para construir a plataforma tripé o PCG demorou 1 mês inteiro, gastou uns R$35, e ela já apresentava vários vazamentos em apenas 1 semana de uso, enquanto nosso novo projeto foi construído em apenas 2 dias e não chegamos a gastar nem R$15 em todos materiais. além disso, nossa plataforma até hoje não tem nenhum vazamento (nenhum mesmo) e está inteira. 

Agora, com o conhecimento que havíamos adquirido estávamos finalmente prontos para montarmos o disparo. Compramos mais peças e começamos a trabalhar. Nós tivemos que montar ele 4 vezes, porque ele precisava estar perfeito, mas quando ele ficou pronto nós percebemos que todo nosso esforço não havia sido em vão. 

 

6) Tempos Modernos

 

Com o fim das aulas, nós pudemos nos dedicar aos FAA, e começamos a fazer várias experiências com nossos foguetes, sempre buscando melhorar nossos aparatos.

Atualmente o PCG está projetando foguetes de vários tipos e realizando várias experiências. E com certeza nós não vamos parar por aqui...

 

 

Leonardo L. Oliva